domingo, 15 de julho de 2012

...PODIA O DIA SER HOJE...


Podiam as asas servir-te de fuga e longe voares na doce mentira. Podia teu rosto alegrar-se na chuva e docemente sentires o cheiro da terra. Fazeres da noite o dia infindo que alberga o sorriso e destrói os porquês. Mas há pássaros feridos no voo e rosas com espinhos a guardar o perfume. E sóis doentes na cama das nuvens em meteorológica febre que te desalenta o andar. Há preços altos em prestações doridas que julgavas saldados num tempo de amor. E anjos caídos levantando no vento a poeira da alma que os sucumbiu. Das velhas dúvidas e eternas perguntas, terás apenas o solitáro caminhar dos outros. 

Sente a brisa em dia tórrido, a chuva em canção de embalar. Ouve os gestos que se erguem de mãos sublimes, e sente nos olhares o que da dor as palavras não ousam. Nobre é o serviço aos outros como quem reza na vida pelos sonhos que tem, e algum dia nalgum tempo, serás tu a curar as asas dos que caídos te oferecem agora o que nunca sonhaste ser!





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